Quero que leias esta carta sem pressa. Não porque tenha palavras extraordinárias, mas porque aquilo que quero dizer-te merece mais do que uma leitura rápida. Merece que pares um pouco e penses no significado de cada coisa. Há sentimentos que não devem ser despachados como uma mensagem qualquer, e aquilo que sinto por ti é um deles.
Desde que entraste na minha vida, passaste a ocupar um lugar que não quero tratar com leviandade. E é precisamente por te dar esse valor que quero que compreendas uma coisa: para mim, esta relação não é apenas uma forma de dizer que tenho namorada, nem uma experiência que quero viver enquanto tudo corre bem. É uma escolha que quero aprender a honrar.
Eu podia escrever-te páginas inteiras a dizer que és linda, que adoro o teu sorriso, que gosto dos teus olhos e que me sinto bem contigo. Tudo isso é verdade. Mas, se o meu amor ficasse limitado ao que acho bonito em ti e à forma como me fazes sentir, estaria a dar-te apenas uma parte daquilo que mereces. Gostar de ti também significa reconhecer que és uma pessoa inteira, com os teus pensamentos, os teus limites, as tuas vontades, as tuas preocupações e uma vida que existia antes de mim.
Não quero gostar apenas das partes de ti que me agradam. Quero conhecer-te com honestidade, respeitar aquilo que é importante para ti e compreender que amar alguém não significa ter direito a tudo dessa pessoa. A tua confiança não é uma autorização para deixar de ter cuidado contigo. A tua presença não é uma garantia de que posso fazer o que quiser e esperar que continues aqui. O teu amor não é algo que eu deva tomar como certo.
Quero que te sintas escolhida, não presumida. Respeitada, não controlada. Ouvida, não apenas escutada. Amada não só pelo que me dás, mas também por quem és, mesmo nos dias em que não tens nada para oferecer além de ti própria.
Quando falo de compromisso, não estou a falar de uma promessa bonita feita num dia em que tudo parece perfeito. Estou a falar da responsabilidade que aceitamos quando decidimos partilhar a vida um com o outro. Estou a falar de perceber que as nossas escolhas têm consequências, que as palavras podem deixar marcas e que a confiança, depois de construída, precisa de ser protegida.
Compromisso, para mim, é não usar os teus sentimentos contra ti numa discussão. É não transformar as tuas fragilidades em argumentos para ganhar uma discussão. É não recorrer ao silêncio para te castigar, nem ao orgulho para evitar uma conversa que precisamos de ter. É conseguir reconhecer quando erro, pedir desculpa sem procurar imediatamente uma justificação e mudar aquilo que precisa de ser mudado.
Não te prometo que nunca vou falhar, porque seria desonesto fingir que sou incapaz de errar. O que quero é ter maturidade para reconhecer os meus erros e humildade para não te obrigar a suportar repetidamente aquilo que eu sei que te magoa. Uma desculpa sem mudança acaba por perder o significado. Por isso, quero que as minhas atitudes tenham o peso das palavras que te digo hoje.
E quero o mesmo para nós. Não espero que sejas perfeita, nem quero que sintas que tens de corresponder a uma imagem impossível para seres suficiente para mim. Quero uma relação em que os dois possam falar com sinceridade, dizer quando alguma coisa dói, admitir quando estão errados e procurar soluções sem transformar um no inimigo do outro.
Porque, quando existir um problema, quero que nos lembremos de que não estamos numa competição para descobrir quem tem mais razão. Estamos perante algo que afecta duas pessoas que decidiram construir uma relação. Isso não significa ignorar os erros ou aceitar tudo sem limites. Significa que, quando houver espaço para resolver as coisas com respeito, quero que tenhamos a coragem de tentar compreendermo-nos antes de nos afastarmos um do outro.
Não quero que o nosso orgulho seja sempre mais forte do que a vontade de nos entendermos. Quero que a nossa honestidade seja maior do que o medo de conversar e que o nosso respeito permaneça mesmo quando não concordamos.
Vida, eu aprecio-te de uma forma que vai muito além daquilo que consigo enumerar. Aprecio a pessoa que és, os detalhes de que cuidas, a maneira como me tratas e a confiança que existe quando partilhas comigo partes importantes da tua vida. Aprecio o facto de poder descobrir coisas novas sobre ti e de perceber que por detrás de cada sorriso há uma pessoa com a sua própria história, com coisas que a marcaram e com sonhos que merecem ser levados a sério.
É precisamente porque te valorizo que quero que as coisas resultem entre nós. Não quero que resulte apenas porque tenho medo de te perder, nem porque já investimos tempo nesta relação. Quero que resulte porque reconheço o valor da pessoa com quem estou, porque acredito no que podemos construir e porque quero participar nisso com responsabilidade.
Não quero ficar contigo apenas pela ideia de ter alguém ao meu lado. Quero estar contigo porque és tu. Porque é contigo que quero continuar a criar memórias, partilhar as minhas preocupações, celebrar as conquistas e aprender a lidar com as partes da vida que não conseguimos prever.
Quando penso na nossa casa, nos nossos ordenados, no nosso trabalho, nos nossos cães e, mais tarde, talvez nos nossos filhos, não vejo apenas imagens bonitas de um futuro distante. Vejo responsabilidades, decisões, esforço e duas pessoas que terão de aprender a construir uma vida em conjunto sem deixarem de crescer individualmente.
Quero que possamos apoiar os sonhos um do outro sem que nenhum de nós tenha de deixar de ser quem é. Quero que celebremos as conquistas um do outro sem competição, que saibamos dividir responsabilidades e que possamos falar sobre dinheiro, família, planos e dificuldades com maturidade. Quero que o nosso futuro seja algo que construímos, e não apenas algo sobre o qual falamos quando estamos apaixonados.
Também quero que saibas que não espero que sejas a única responsável por fazer esta relação resultar. Eu tenho a minha parte, tu tens a tua, e nenhum de nós consegue construir sozinho aquilo que precisa de ser feito pelos dois. Quero que exista vontade dos dois lados: vontade de conversar, de respeitar, de aprender, de reparar os danos quando os houver e de continuar a investir naquilo que decidimos partilhar.
Não te peço que prometas que tudo será fácil. Também não te peço que fiques numa situação que te magoe em nome de uma promessa. O que desejo é que, enquanto escolhermos estar juntos, tratemos essa escolha com seriedade. Que nenhum de nós confunda amor com posse, compromisso com prisão ou perdão com a obrigação de aceitar sempre os mesmos erros.
Para mim, amar-te deve significar que a tua dignidade continua a ser importante mesmo quando estou magoado, que a tua liberdade merece respeito mesmo quando sinto insegurança e que a tua voz não perde valor só porque a tua opinião é diferente da minha. Quero que possamos ser duas pessoas livres que escolhem caminhar juntas, não duas pessoas que permanecem juntas por pressão, medo ou obrigação.
Quero que fiquemos porque faz sentido escolhermo-nos, não porque deixámos de acreditar que podemos escolher.
Se algum dia as coisas se tornarem difíceis, espero que nos lembremos do valor que esta relação tem para cada um de nós. Que tenhamos a coragem de falar antes de acumular ressentimentos, de perguntar antes de tirar conclusões e de ouvir antes de responder. Que saibamos distinguir um momento difícil de uma falta de respeito e um erro reconhecido de uma atitude que alguém insiste em repetir.
Quero dar-te um amor que não exista apenas nas datas especiais, nas surpresas ou nas palavras desta página. Quero que ele se reconheça na maneira como te trato num dia normal, na atenção que dou ao que me contas, na responsabilidade com que assumo as minhas escolhas e na capacidade de estar presente sem precisares de implorar por aquilo que deve existir entre nós.
E, acima de tudo, quero que nunca sintas que precisas de duvidar do teu valor para manter o meu amor. Quero que possas crescer, realizar os teus objectivos e continuar a descobrir quem és. Quero poder orgulhar-me de ti sem querer decidir por ti, apoiar-te sem te diminuir e estar ao teu lado sem te retirar espaço para seres tu própria.
Talvez estas palavras não consigam mostrar, por si só, a dimensão daquilo que estou a tentar explicar. E é por isso que não quero que esta carta seja o fim da conversa. Quero que seja um ponto de partida para a forma como vivemos a nossa relação: com mais consciência, mais respeito, mais responsabilidade e uma vontade verdadeira de fazermos as coisas bem.
Não te escrevo isto para te convencer de que sou perfeito, nem para te pedir que acredites cegamente em tudo o que digo. Escrevo porque quero ser claro sobre a importância que te dou e sobre a seriedade com que quero tratar aquilo que existe entre nós. Quero que tenhas liberdade para observar as minhas atitudes e perceber, com o tempo, se elas correspondem às minhas palavras.
Se digo que te valorizo, quero demonstrá-lo. Se digo que te respeito, quero que o sintas. Se digo que quero um futuro contigo, quero estar disposto a trabalhar para o construir.
Minha Nini, não sei todas as páginas que ainda vamos escrever. Sei que temos sonhos, coisas para aprender e muito para descobrir um sobre o outro. O que quero é que não percamos de vista aquilo que torna esta escolha digna: a vontade de ambos, a honestidade, a consideração e a responsabilidade de cuidarmos daquilo que estamos a construir.
Eu aprecio-te. Aprecio a tua presença, a pessoa que és e o lugar que conquistaste na minha vida. E é exactamente por isso que não quero tratar a nossa relação como algo pequeno, descartável ou garantido. Quero dar-lhe a atenção que merece e fazer a minha parte para que tenha condições de crescer.
Se há uma coisa que desejo que retires desta carta, é esta: não quero apenas dizer que te amo. Quero aprender a amar-te de uma forma que seja compatível com o respeito que mereces, com a confiança que precisamos de construir e com o futuro que ambos possamos desejar.
Não te prometo uma história sem falhas. Comprometo-me a levar a sério a minha responsabilidade nesta história, a reconhecer que o amor precisa de cuidado e a não esquecer que uma relação se constrói com duas vontades, duas vozes e duas pessoas que merecem ser respeitadas.
Quero que, quando olhares para nós no futuro, não vejas apenas o que prometemos no início. Quero que consigas reconhecer o que fizemos, o que aprendemos, o que corrigimos e a forma como escolhemos cuidar um do outro ao longo do caminho.
Obrigado por seres a Nini que és e por me permitires fazer parte da tua vida. Espero continuar a merecer o lugar que tenho nela, não apenas pelo que te digo hoje, mas pela forma como te trato amanhã e em todos os dias em que escolhermos continuar juntos.
Com amor, respeito e a vontade sincera de construir algo que tenha significado,
O teu Momo,